Treze características de uma organização de fato inovadora

Treze características de uma organização de fato inovadora

A cultura é importante para a inovação, mas poucas empresas são boas nisso. O \"Santo Graal\" da maioria das companhias é a inovação. Aquelas que conseguem inovar com sucesso, e assim crescer organicamente, geralmente são as mais produtivas e as mais valiosas. Então, como elas conseguem fazer isso?

Passei mais de 25 anos observando organizações, tentando averiguar quais são as mais dinâmicas e criativas. Não há uma fórmula definida, mas acredito que certas características proporcionam uma vantagem às instituições vencedoras. Pouquíssimas apresentam todas essas características ou usam todas as técnicas. A cultura é realmente importante no que diz respeito à inovação e à inventividade - e poucas empresas são boas nisso. Relacionei abaixo algumas das atitudes específicas e características que percebi nos centros de inovação mais impressionantes:

Capacidade de fazer descobertas importantes por acaso: novas ideias nem sempre surgem da aplicação inflexível de grandes planos e da lógica pura. Frequentemente, o inesperado tem uma participação importante em novas descobertas. Em 1865, um químico de 18 anos chamado William Perkin estava tentando produzir quinina, medicamento usado no combate à malária, mas em vez disso produziu a cor lilás - sendo assim o pioneiro no uso de tintas sintéticas.

Abertura a sugestões: acidentes podem representar saltos quânticos se os investidores forem atentos a enganos fortuitos. Spencer Silver da 3M estava tentando produzir um adesivo poderoso quando em vez disso sintetizou a cola reutilizável - que depois a Art Fry usou para colar folhas em um bloco de papel, criando assim as Post It Notes.

Equipes: no século XXI, os avanços científicos geralmente são feitos por grupos de pesquisadores que trabalham juntos, ao invés de gênios solitários. A colaboração e o compartilhamento são quase que indiscutivelmente necessários ao progresso. Isso significa tomar decisões difíceis sobre a confidencialidade, a menos que você esteja trabalhando em um grande laboratório, e sobre quando tornar público e patentear.

Kaizen: uma teoria administrativa chinesa que promove a melhoria contínua, geralmente a partir de sugestões que vêm de baixo para cima, com uma ênfase na eliminação do desperdício.

Iterações, e não grandes inovações: suspeito que as grandes vitórias mais fáceis já foram obtidas na maioria das áreas - com um exemplo sendo as grandes companhias farmacêuticas, que já declararam que a era dos medicamentos \"blockbuster\" acabou. A partir de agora, os aprimoramentos deverão ser graduais e não radicais.

Aplicação, e não teoria: conceitos puramente acadêmicos são importantes, mas para uma invenção ser útil ela precisa ser prática. Um medicamento só é realmente valioso se puder ser produzido em massa e se for economicamente viável.

Pequeno, e não gigantesco: a era dos grandes departamentos de pesquisa e desenvolvimento, bancados por quase monopólios como a Bell Labs ou a Xeroz Parc, basicamente terminou. Agora, grupos mais ágeis e dispersos deverão surgir com novas concepções e desenvolvimentos.

Muitas disciplinas: poucos produtos são desenvolvidos por um grupo de especialistas, sejam eles materiais avançados, armazenagem de energia ou medicina regenerativa. As grandes áreas de exploração técnica precisam de muitos especialistas, que vão de cientistas da computação a físicos, médicos e engenheiros.

Juventude e diversidade: na medida em que envelhecemos, tendemos a nos tornar cínicos e resistentes a mudanças. É claro que nem todos os investidores sofrem disso, mas mesmo assim é muito importante ter a contribuição de pessoas mais jovens. Além do mais, elas têm idades mais próximas às dos consumidores que são os que primeiro adotam a maioria dos produtos.

Talento: indivíduos criativos são essenciais quando se quer chegar a novas combinações e a conclusões comerciais. Recrutar e manter as pessoas mais talentosas de todas as partes do mundo é mais importante do que qualquer outro ingrediente.

Frugalidade: orçamentos generosos não garantem necessariamente resultados melhores. Quanto custaram os modelos principais do Uber, Twitter, Facebook e Airbnb? Com frequência a escassez gera ideias engenhosas que aumentam a eficiência e a produtividade.

Paciência: os avanços mais importantes levam anos e envolvem muito trabalho e angústia. Ter senso de urgência é importante, mas ter uma perspectiva de longo prazo é ainda mais.

Permitir o fracasso: a experimentação naturalmente envolve muitos procedimentos que não funcionam. Becos sem saída são inevitáveis, mas eles nunca devem ser vistos como defeitos, e sim como reveses temporários.

A inventividade e a inovação são as atividades mais instigantes e arriscadas nos negócios e absolutamente necessárias se as empresas quiserem prosperar.

 

Luke Johnson é colunista do \"Financial Times\" e presidente do conselho de administração da Risk Capital Partners.

Artigo publicado originalmente no Jornal Valor Econômico de 05/01/2015 na seção Carreira