Construindo o amanhã - Parte 1

Construindo o amanhã - Parte 1

Esta é a era das reviravoltas.

Modelos de negócio há muito tempo estáveis estão desmoronando. Novas tecnologias transformadoras tornaram as operações mais rápidas e eficientes, forçando gigantes da indústria a adotá-las — ou perecer. Mesmo assim, o setor da construção ficou visivelmente fora dessa tendência. Em um relatório divulgado no ano passado, a KPMG observou que apenas 8% das empresas de construção e engenharia são “visionárias de tecnologia de ponta”, com 69% consideradas “seguidoras” ou “atrás da curva”. Em geral, as empreiteiras têm sido lentas em mudar técnicas comprovadas pela prática, resistindo aos ventos de mudança como se fossem de aço e concreto. Mas as fundações do setor já começaram a deslocar- se. A modelagem de informações de construção (BIM) em 3D encantou uma nova geração de gerentes de projeto de construção, e vêm usando para melhorar a comunicação e reduzir os riscos. Um próximo passo óbvio para muitas empresas com visão de futuro é passar para a BIM 4D e 5D, que incorporam dados de cronograma e custos, respectivamente. (Consulte “Agora você vê”, página 33 ou Post Parte 2, uma visão mais aprofundada da 4D). A verdadeira revolução ainda está por vir. A realidade aumentada (AR), a realidade virtual (VR), a Internet das coisas (IoT) e a inteligência artificial prometem causar uma reviravolta da paisagem dos projetos de construção, impulsionando as organizações corajosas o bastante para serem pioneiras. “Implementar a tecnologia com êxito pode criar ousados modelos de negócios novos, vantagens competitivas e maior agilidade”, disse Colin Cagney, diretor, KPMG Major Projects Advisory, Seattle, Washington, EUA. “As empreiteiras que puderem demonstrar que são de ponta aumentam as suas chances de trabalhar com proprietários sofisticados”. A KPMG relata que a pressão competitiva e as forças de mercado são importantes promotoras da inovação — e o setor da construção pode esperar as duas no curto prazo. Com a lentidão da economia global persistindo em 2017 e além, o mais provável é que os patrocinadores de projeto prefiram trabalhar com empreiteiras que possam dar mais por menos. No entanto, os estouros de custo e cronograma são a norma em projetos de construção. Geralmente, as grandes iniciativas levam 20% mais tempo para terminar do que o programado e fecham até 80% acima do orçamento, segundo a McKinsey & Co. Em Singapura, onde se espera que o crescimento do PIB de 2017 fique igual ou abaixo da taxa de 1,8% em 2016, as organizações começaram a abandonar o status quo em favor de ferramentas que ajudem a cortar custos e aumentar a produtividade dos projetos, disse Nirbhik Sengupta, PMP, chefe de engenharia civil, Tiong Seng Contractors, Singapura.

“Durante uma recessão, as ideias mais inovadoras entram no mercado”, disse Nirbhik. “Esses são os tempos em que o impulso para a tecnologia para melhorar a situação de fato acontece”.


NOVA REALIDADE

Para que um investimento de tecnologia tenha um ROI forte, primeiro ele precisa estar alinhado com as necessidades de negócios, disse Nirbhik. “O benefício deve ser em termos de segurança, em termos de custos”, disse ele. “A segurança e a produtividade precisam ser melhoradas e o retrabalho, reduzido. Se houver melhorias nessas áreas, elas serão automaticamente transferidas como benefício para a organização”. Por exemplo, inovações como VR e hologramas podem ajudar a simplificar a comunicação e reduzir a probabilidade de atrasos no programa. A última geração de capacetes e aplicativos de VR sobrepõem informações sobre o projeto a modelos de edifício em 3D, tornando mais fácil para as equipes de projeto comunicar os seus planos aos clientes e patrocinadores do projeto. Embora a empresa dele ainda não esteja usando tecnologia de holograma, Steve Moore, PMI-SP, PMP, gerente da divisão de programação, Robins & Morton, Birmingham, Alabama, EUA, acredita que ela também tem o potencial de ajudar os tomadores de decisão não-técnicos a identificar problemas e emitir aprovações mais bem informadas com mais rapidez. “Vamos poder ter o projeto em holograma sobre a mesa de plano, e quem estiver usando os óculos poderá ver ele sendo construído”, disse ele. “Eu realmente acho que essa é uma direção que a programação precisa tomar — mais visual e fácil de absorver e entender rapidamente. A tecnologia está quase pronta e em breve deve ficar comercialmente disponível”. Em Singapura, Nirbhik Sengupta disse que as ferramentas virtuais de projeto e construção já estão fazendo progressos no mercado de construção local. O governo tem desempenhado um papel importante no estímulo desse avanço, oferecendo cursos de treinamento por meio da sua Autoridade de Edifícios e Construções (BCA) a profissionais que queiram atualizar-se sobre a nova técnica. “O BCA criou um estúdio para o programa de projeto e construção virtual (VDC)”, disse ele. “Assim, o VDC e a BIM ganharam impulso no mercado local”. Os dispositivos móveis e a tecnologia de internet das coisas também têm o potencial de acelerar os cronogramas dos projetos e reduzir atrasos, disse Enda Casey, gerente de planejamento virtual de construções da London Bridge Associates (LBA), Londres, Inglaterra. A empresa dele já começou a automatizar o processo de coleta de dados nos seus projetos de transporte ferroviário metropolitano de Londres, pondo sensores inteligentes nos equipamentos e rastreando o desempenho em tempo real. A LBA também digitalizou a coleta manual de dados, dando aos gerentes de projeto dispositivos móveis que podem ser usados em campo para atualizar os status de projeto. “Você pode controlar o seu cronograma em tempo real usando a tecnologia no local”, disse Enda. “O banco de dados pode ser configurado de tal forma que, se encontrar um problema nos dados, pode alertar a equipe de gerência sênior para intervir”. De monitorar os níveis de estoque a prever quando uma máquina pode precisar de reparos preventivos, as redes de IoT podem livrar o gerenciamento de riscos de muita adivinhação. Máquinas conectadas também poderão melhorar a utilização de ativos e tornar mais seguros os locais de trabalho, garantindo a aderência às regulamentações, disse Tushar Shah, PMP, líder de prestação de serviços, desenvolvimento de aplicativos e software móveis, Atlas Copco India Ltd., Pune, Índia. Sensores inteligentes também podem simplificar o gerenciamento da cadeia logística, disse ele.




Autor: Revista PMI Network, de Abril de 2017, Volume 31, Número 4.